A liquefacção dos solos, na sequência de ocorrências sísmicas, tem sido uma das principais causas relacionadas com a ocorrência de danos em estruturas enterradas, em condutas e em fundações de edifícios e de pontes, constituindo-se como um dos aspectos potencialmente relevantes na avaliação do risco sísmico de empreendimentos de importância económica ou social. A susceptibilidade de um solo à liquefacção depende essencialmente da sua natureza e das características da acção sísmica incidente (intensidade e duração). Os métodos actualmente disponíveis para a sua avaliação diferem entre si no tipo e na precisão dos dados utilizados e graus de detalhe da análise, sendo geralmente agrupados em três classes diferenciadas (ISSMGE, 1999) de complexidade e exigência de informação de base diversas. Nos métodos da Classe 3 – os mais elaborados – a avaliação da susceptibilidade à liquefacção baseia-se na comparação, a cada profundidade, entre a resistência à liquefacção do solo e a tensão tangencial média induzida pela acção sísmica. A resistência à liquefacção é calculada com base em curvas empíricas estabelecidas a partir de ensaios de laboratório ou, preferencialmente, a partir de ensaios de campo, como os ensaios SPT ou CPT. Apresenta-se na presente comunicação um estudo de avaliação da susceptibilidade à liquefacção de um local em Setúbal, objecto de uma detalhada campanha de prospecção geotécnica, que permite a aplicação de métodos da Classe 3.
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