As atividades de mineração geram elevadas quantidades de resíduos, cujo armazenamento pode causar fortes impactos ambientais. A forma mais comum de disposição dos resíduos é feita em bacias contidas por barragens constituídas pelos próprios materiais de rejeito em estados de muito baixa compacidade muito baixa, acarretando riscos de liquefação destes solos quando dispostos de forma muito rápida e sem controlo dos incrementos de pressões neutras. O presente artigo descreve trabalhos realizados em materiais de granulometria semelhante a rejeitos produzidos numa mineradora de ouro no Brasil. Tendo como base a teoria dos estados críticos e através de ensaios triaxiais realizados em laboratório, é efetuada a identificação das linhas de estados críticos ao qual se referenciarão os estados in situ, cujo afastamento daquele limite, traduz o nível de segurança. O conhecimento do parâmetro de estado – que traduz esse afastamento – traduz a condição do material depositado relativamente ao estado último, associado à eventual rotura por liquefação. Pretende-se estudar a forte sensibilidade da identificação desses estados limite de referência, em relação aos processos de saturação total das amostras antes de ensaios (condição mais desfavorável e, por isso, forçosamente re-induzida em laboratório), à determinação precisa do volume de vazios no decurso dos ensaios, em particular pós rotura (através de técnica de congelamento dos provetes após o ensaio) e trajetórias de tensões em condições drenadas e não drenadas. A não linearidade da linha dos estados críticos será discutida.
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