A construção feita em terra crua é um património cultural em Angola amplamente utilizado por famílias de baixa renda. No sudoeste de Angola existem inúmeras habitações de terra crua construídas com métodos e técnicas ancestrais que respeitam o meio ambiente. Entre as técnicas de construção em terra, destacam-se: o adobe, o pau-a-pique e mais recentemente em BTC (Bloco de Terra Comprimida). A sustentabilidade deste tipo de construção é um dos fatores que impulsionou o seu recente desenvolvimento em todo o mundo. É caracterizada por baixo consumo de energia e baixas emissões de carbono porque está associada a níveis de poluição perto de zero, por possuir níveis benéficos de humidade interna em termos de saúde humana, bom isolamento térmico e baixos custos económicos. Este trabalho faz parte de um projeto que visa melhorar e otimizar essas soluções construtivas, respondendo às demandas atuais de sustentabilidade social, económica e ambiental. Neste trabalho foram caracterizadas as propriedades mineralógicas de oito amostras de solos utilizados na construção em terra crua na região do sudoeste de Angola (província da Huíla), mediante a aplicação da técnica de análise mineralógica por Difração de raios-X (DRX) e as características geotécnicas (dimensões das partículas do solo, consistência, expansibilidade, densidade, compactação). Além disso, para avaliar a durabilidade dos adobes foram realizados os testes Geelong. Os resultados obtidos põem em evidência que as propriedades mineralógicas controlam as propriedades geotécnicas dos solos e o comportamento dos mesmos quando utilizados na construção em terra.
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