A caracterização mecânica de solos residuais por meio de ensaios in situ apresenta dificuldades múltiplas, sobretudo pelo facto do seu comportamento não se ajustar aos modelos interpretativos tradicionais destinados a solos sedimentares transportados. De facto, a presença de uma estrutura de cimentação herdada da rocha mãe, traduz-se no aparecimento de uma coesão real na envolvente de rotura de Mohr-Coulomb. Além disso, quando a sucção se encontra também presente, a dedução paramétrica dos parâmetros de resistência ao corte torna-se ainda mais complexa, uma vez que se torna necessário considerar 3 variáveis: coesão devida à cimentação, sucção e ângulo de resistência ao corte. No limite será necessário considerar uma coesão global (coesão e sucção) e o ângulo de resistência ao corte. Para esse efeito, apenas os ensaios que fornecem a medição de mais de um parâmetro conseguem oferecer condições para essa avaliação. Dos ensaios correntes utilizados em Portugal, apenas os ensaios DMT, CPTu e PMT cumprem esse requisito. O Instituto Politécnico da Guarda tem vindo a dedicar bastante tempo de pesquisa a este assunto, de que é exemplo o trabalho de calibração ali realizado para aplicação do ensaio DMT à caracterização dos solos residuais. Nos anos mais recentes, a MOTA-ENGIL e o Laboratório de Engenharia Matemática do ISEP/IPP têm vindo a colaborar ativamente com o IPG neste contexto de investigação. Na sequência do trabalho realizado com o ensaio DMT, foi decidido estender uma linha de investigação destinada ao estabelecimento de metodologias dedicadas aos ensaios CPTu e PMT, partindo do mesmo campo experimental e das muitas ligações que existem sobretudo entre os ensaios DMT e CPTu. Nesta comunicação apresenta-se uma metodologia para obter os parâmetros de resistência ao corte de solos residuais graníticos através do ensaio CPTu, conforme calibração no campo experimental do IPG e testada com idênticos resultados na formação de Granitos do Porto.
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