Nos últimos anos houve um aumento substancial no grau de complexidade e exigências em relação ao licenciamento de barragens de rejeitos no Brasil. O empilhamento de rejeitos filtrados é atualmente visto como uma alternativa para a disposição dos rejeitos; no entanto, existem inúmeros desafios no entendimento e gerenciamento destas estruturas principalmente em regiões de altos índice pluviométricos e altas taxas de produção. Neste contexto, o objetivo deste artigo é avaliar a suscetibilidade à liquefação de rejeitos filtrados de minério de ferro, com base em ensaios de laboratório (caracterização física e compressão triaxial) e de campo (piezocone) realizados em um aterro experimental localizado no Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais, Brasil. Para tanto, foram utilizadas metodologias de avaliação da suscetibilidade à liquefação, sendo ainda avaliada a teoria do estado crítico e o índice de fragilidade do material. Os resultados indicaram que a forma construtiva empregada no aterro experimental (e.g. energia de compactação, espessura e espessura das camadas) resultou em variabilidade do índice de vazios e na suscetibilidade à liquefação para os materiais dispostos em camadas espessas, superiores a 0,75 m, onde observa-se reduzida ou nenhuma influência da compactação. Assim, verificou-se a importância da metodologia de disposição, não só em função da resistência mobilizada, mas devido a menores densidades estarem associadas a alta compressibilidade, potencial de colapso e risco de liquefação estática. Além disso, a partir dos ensaios laboratoriais, foi possível determinar a linha de estado crítico para os rejeitos filtrados, permitindo estimar os parâmetros para essa condição.
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