A avaliação da resposta de estacas sujeitas à compressão é um problema geotécnico corrente, embora complexo. Em reacção ao carregamento do topo estaca e consequente encurtamento desta, forma-se no solo circundante ao fuste uma banda de corte responsável por grande parte do desenvolvimento da resistência lateral. Nesta banda de corte ocorrem deformações distorcionais e volumétricas importantes e de evolução complexa. Porém, a distorção gerada estará relacionada com a espessura da banda de corte, com a resistência mobilizada e com o encurtamento elástico da estaca. Simplificadamente, Johannessen & Bjerrum (1965) e Burland (1973) propuseram que se relacionasse a resistência lateral unitária com a tensão efectiva vertical inicial do solo através do coeficiente beta (β). Com base neste método é também possível avaliar o encurtamento elástico da estaca (Lourenço & Santos, 2021). Este artigo propõe agora um modelo simplificado de avaliação da resposta da interface lateral de estacas. Com este procura-se avaliar a ordem de grandeza da distorção e a sua variação em profundidade, compreender qual a influência da espessura da banda de corte e qual a influência da rigidez axial (EA) da estaca nesta resposta.
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